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Crescimento das empresas e crescimento da economia

As 1000 Maiores empresas
Artigo de opinião de Teresa Cardoso de Menezes, publicado no Jornal Expresso de 13 dezembro
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“Os números relativos às 1000 Maiores Empresas de Portugal não deixam muitas dúvidas quanto ao peso que têm no tecido empresarial: representam 46% do seu volume de negócios, o que equivale a três quartos do PIB, mais de metade das exportações e quase um quarto do emprego agregado das empresas.

O ranking que a Informa D&B realizou este ano das 1000 Maiores Empresas em Portugal é constituído com a informação relativa a 2020. O desempenho financeiro das empresas neste período espelha os impactos da pandemia e das medidas restritivas que foram decretadas para a combater, uma situação que atingiu profundamente o tecido empresarial português e, de forma semelhante, as 1000 Maiores empresas.

Em 2020, o primeiro ano da pandemia de Covid-19, 55% das 1000 Maiores empresas perderam volume de negócios, num valor agregado de 10,7% face ao ano anterior, o que corresponde a cerca de 20 mil milhões de euros. É uma queda muito substancial, próxima do que sucedeu no tecido empresarial, onde também mais de metade das empresas perderam faturação, com as perdas agregadas a situarem-se nos 9,6%.

A natureza desta crise dirigiu os impactos para alguns setores em particular, afetando grande número de empresas que neles operam. Devido à sua maior dimensão, o peso das 1000 Maiores empresas é naturalmente superior quando se trata de identificar de que modo contribuíram para este recuo. Esta foi uma realidade no tecido empresarial e que está também patente nas 1000 Maiores empresas. Entre estas, 95% da queda no volume de negócios está concentrada em 4 mercados especialmente atingidos e onde operam as empresas de maior dimensão: Energia e Recursos, Automóvel, Transportes e Logística, Materiais de Base.

Além disso, sendo uma crise de alcance global, afetou de forma também muito significativa as exportações. Com uma taxa de exportadoras muitíssimo superior à do tecido empresarial, é natural que grande parte da quebra nos resultados destas empresas se deva ao recuo nos negócios com mercados externos. Os mesmos 4 mercados que apresentam maiores quebras concentram quase dois terços das exportações das 1000 Maiores empresas e são também aqueles que registam uma maior queda nas exportações entre 2019 e 2020.

Mas se a contabilização dos danos é inevitável, talvez seja ainda mais importante verificar que as maiores empresas revelam uma resiliência bastante superior à média, um indicador que analisámos para concluir que 71% das 1000 Maiores empresas  têm um nível de Resiliência Financeira Elevado ou Médio-Alto, uma percentagem muito superior aos 38% que encontramos no tecido empresarial.

O que a existência das maiores empresas nos traz não é apenas a natural grandeza dos seus números. Por detrás dos números que vemos nos balanços, está uma maior capacidade para enfrentar e superar estes momentos e uma maior preparação para competir à escala global, ingredientes fundamentais para continuarem a desempenhar o seu papel absolutamente estruturante na economia do país. E esta é uma razão mais do que suficiente para se apostar no crescimento das empresas, quer nas que já atingiram uma maior dimensão, quer nas outras que procuram oportunidades de crescimento.

Teresa Cardoso de Menezes

Diretora geral da Informa D&B”