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Indústrias intensivas em tecnologia são responsáveis por quase um quinto de todas as exportações nacionais

  • Indústrias intensivas em tecnologia representam 5% do VAB do país;
  • Indústrias da Saúde e Bem-estar destacam-se pelo crescimento e rentabilidade;
  • Desempenho das empresas industriais está abaixo da média do tecido empresarial;

Entre as 32 mil Indústrias que operam no tecido empresarial português, as empresas intensivas em tecnologia são responsáveis por 19% das exportações da totalidade do tecido empresarial, o que corresponde a um valor de 18,6 mil milhões de euros.

Esta é uma das conclusões do estudo que a Informa D&B realizou sobre as Indústrias em Portugal, onde identificou cerca de 3 mil indústrias intensivas em tecnologia: indústrias de alta e média-alta tecnologia, classificações do INE definidas de acordo com a classificação de atividades económicas.

A maior parte destas indústrias dizem respeito a equipamentos (que inclui indústria aeroespacial, máquinas, equipamento eletrónico, médico e elétrico). As atividades relacionadas com a Saúde e bem-estar (indústria farmacêutica, material médico, cosméticos e produtos de higiene) assume um destaque especial, representando 24% das indústrias intensivas em tecnologia.

Segundo Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B, “É a primeira vez que fazemos um estudo específico sobre as Indústrias porque pensamos ser importante registar a sua evolução e o peso que mantêm na criação de riqueza, nas exportações e no emprego. A análise permite também identificar oportunidades futuras em vários setores da indústria sendo este o conhecimento que queremos partilhar.”

As indústrias intensivas em tecnologia representam apenas 0,8% das empresas do tecido empresarial, mas são responsáveis por quase 5% do VAB total. Para além do papel de grande relevância que assumem na criação de valor, representam cerca de um quinto do investimento em Investigação & Desenvolvimento de todo o tecido empresarial.

Volume de negócios, emprego e rentabilidade: dados do desempenho das Indústrias mostram alguma estagnação nos últimos 5 anos

Os dados do desempenho das Indústrias no período entre 2019 e 2024 mostram algumas debilidades, quando comparados com a média do tecido empresarial nacional. Ainda assim, e segundo o Eurostat, Portugal está entre os países onde a indústria transformadora registou crescimento no volume de negócios, um crescimento que ocorreu apenas em 13 dos 27 países da UE.

Após o impacto negativo da pandemia de Covid-19, a Indústria recuperou mais rapidamente que a média do tecido empresarial. Porém, os últimos 2 anos foram praticamente de estagnação no que toca ao volume de negócios da Indústria em Portugal. Segundo os dados da Informa D&B, nos últimos 5 anos, o crescimento da Indústria foi de 5,8% ao ano, uma percentagem inferior aos 6,5% registados pelo tecido empresarial.

Para o aumento do volume de negócios da Indústria contribuíram quer o mercado externo quer o interno, com maior crescimento deste último.

Apesar das Indústrias continuarem a concentrar a maior parte das exportações nacionais, os negócios com mercados externos nas Indústrias cresceram menos que no tecido empresarial. Algumas das principais atividades com mais empresas exportadoras e maior percentagem de exportações, como Indústria Automóvel e a Indústria de Têxtil e moda foram as que menos viram crescer as exportações nos anos mais recentes. Entre 2019 e 2024, a taxa de variação média anual das exportações no tecido empresarial foi de 6,3%, uma percentagem que se ficou pelos 5,3% nas Indústrias.

A Indústria concentra a maior fatia do emprego do tecido empresarial, mas também neste indicador mostra sinais de estagnação, crescendo menos que o tecido empresarial no mesmo período, 1,4% e 2,4%, respetivamente, com o contributo negativo da Indústria Automóvel e de Têxtil e Moda.

Indústrias da Saúde e Bem-estar destacam-se pelo crescimento e rentabilidade

Ainda no período entre 2019 e 2024, tanto o crescimento como a rentabilidade da Indústria estão abaixo da média do tecido empresarial. No entanto, quando analisadas as diversas indústrias segundo uma matriz de crescimento e rentabilidade, a Indústria ligada à Saúde e Bem-estar destaca-se nos dois indicadores, estando bastante acima da média.

Criação de novas empresas industriais recua na última década

Para além dos dados do desempenho, é de realçar também que a criação de novas indústrias está com uma dinâmica inferior à do tecido empresarial. Nos últimos 10 anos (2016-2025), a criação de novas empresas em todo o tecido empresarial aumentou 4,2% ao ano, enquanto as indústrias registaram um recuo anual de 0,9%. As maiores quedas na criação de novas empresas ocorreram nas indústrias de Têxtil e Moda, Automóvel e Alimentar. Pelo contrário, os maiores crescimentos foram registados nas indústrias de Equipamentos, Metalurgia e Saúde e Bem-estar.

Pilar da economia com maior força a Norte

A Indústria é um dos pilares da economia nacional, mantendo maior representação na região Norte, onde estão concentradas mais de metade (52%) das Indústrias e onde estas atividades mais contribuem para a economia regional. As 32 mil Indústrias identificadas pela Informa D&B, correspondem a 8% das empresas do tecido empresarial, empregam 635 mil pessoas, 19% do total, faturam 116 mil milhões de euros, 23% do total do tecido empresarial, e são responsáveis por metade das exportações nacionais, com 50 mil milhões de euros de negócios com o exterior. Em 2024, o Valor Acrescentado Bruto das Indústrias correspondia a quase 10% do PIB´.

Universo e definições

Universo de estudo: empresas com atividade comercial em 2024.
Empresas com atividade comercial: empresas do setor público e privado (não inclui a Banca e os Seguros), com informação financeira publicada no portal do Ministério da Justiça (IES) relativa ao exercício de 2024 e que apresenta dados de compras, vendas ou emprego nesse ano.
Indústria: agrupamento Informa D&B das atividades económicas da CAE-Rev.4 (Classificação Portuguesa das Atividades Económicas, Revisão 4) associadas à Indústria.
Indústrias intensivas em tecnologia: indústrias de alta e média-alta tecnologia – classificações do INE das atividades económicas (CAE-Rev4) que têm como referência as agregações adotadas pelo Eurostat.
Empresa familiar: entidades cujo capital é detido maioritariamente por membros da mesma família (por exemplo cônjuges, pais, filhos ou descendentes diretos) ou em que o governo ou gestão da entidade envolve pelo menos um membro da família de um sócio/acionista.
Empresa de capital estrangeiro: entidades cujos sócios/acionistas maioritários são pessoas coletivas com sede fora de Portugal.
Cargos de liderança: funções do primeiro gestor (Presidente do Conselho de Administração e Gerente).
Cargos de gestão: órgãos sociais de gestão, administração e gerência.
Empresas exportadoras: empresas cujas vendas de bens e serviços no mercado externo representam pelo menos 5% do seu volume de negócios ou pelo menos 1 milhão de euros no ano.
Margem líquida: resultado líquido / volume de negócios x 100

SOBRE A INFORMA D&B
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