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Conhecimento e critério para enfrentar a crise

É difícil de encontrar numa crise os critérios e orientações que nos ajudem a combatê-la. Se procurarmos indicações na crise que enfrentámos no início da década passada, identificamos semelhanças e diferenças, desde logo uma natureza muito diferente da crise atual, quer nas suas causas, quer também nos seus efeitos sobre as empresas. Tanto as suas semelhanças como as diferenças dão-nos indicações sobre a forma de lidar com aquilo que estamos hoje a enfrentar.

O traço que imediatamente carateriza a atual crise e que a distingue da anterior é a forma muito desigual como estes 12 meses de pandemia atingiram os diversos setores de atividade, desde logo a restauração, o retalho não alimentar e todas as empresas que vivem na cadeia de valor do turismo, como o alojamento, os transportes e um grande conjunto de serviços.

As restrições decretadas para a contenção da pandemia produziram efeitos desiguais ao nível da quebra de atividade e do volume de negócios de muitas empresas, que já estão a ter reflexos nos atrasos nos pagamentos a fornecedores, e na criação de novas empresas. São fenómenos que registámos na crise anterior e que estão a ocorrer de novo, mas com maior concentração nos setores mais atingidos.

Quase 200 mil empresas estão em setores que sofreram um impacto alto, segundo um dos novos indicadores que desenvolvemos e que nos mostra a exposição dos diferentes setores à pandemia. Estes dados são desde logo um primeiro instrumento para a ultrapassar, pois sabemos onde estão as maiores vulnerabilidades.

Mas sabemos mais. Apurámos também que quase metade das empresas estão mais preparadas para enfrentar esta crise. Estas empresas, mesmo quando fazem parte de setores bastante afetados pela pandemia, mostram uma resiliência financeira que lhes dá mais vigor para ultrapassar as atuais dificuldades.

Sabemos a forma desigual como esta crise atua sobre o tecido empresarial, conseguimos identificar essas diferenças e, além disso, conseguimos também saber quais as empresas que realmente têm mais probabilidade de sobrevivência com sucesso. Esta é informação relevante para construir critérios e orientações nas escolhas e decisões que vão moldar o futuro próximo de grande parte do tecido empresarial, sobretudo numa altura em que serão decisivos os apoios do Estado e os que virão da União Europeia.

A capacidade analítica que temos hoje sobre o tecido empresarial fornece-nos leituras mais rigorosas da situação e instrumentos para a enfrentar. A partir do momento em que temos em nosso poder este conhecimento, temos também a obrigação de o utilizar. É exatamente para isso que ele serve.

Teresa Cardoso de Menezes

Diretora geral da Informa D&B