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Além de maiores, melhores

É cada vez mais claro porque é que as 500 empresas de maior dimensão em Portugal merecem que lhes chamemos também ‘melhores’ empresas.

A sua dimensão é-nos dada por uma fotografia instantânea que as coloca sem qualquer dúvida como pilares da economia: o volume de negócios destas empresas representa hoje quase metade do valor total do tecido empresarial, e equivale a 70% do PIB nacional; da mesma forma, são impressionantes pelos números do emprego que apresentam.

Mas além da fotografia instantânea, temos também a opção de ver o percurso protagonizado por estas empresas. Há 3 décadas que a Informa D&B analisa as 500 Maiores & Melhores ( 500 M&M) e quando realizamos uma leitura a este período o que encontramos é um comportamento de grande resiliência, que, embora  não sendo imune aos diversos ciclos políticos ou económicas, nacionais ou internacionais, mostra uma clara tendência de crescimento sustentado ao longo dos anos. E a verdade é que neste período de 30 anos as 500 M&M duplicaram o seu volume de negócios.

É a sua resiliência que faz destas empresas as ‘melhores’ pelo impacto determinante e positivo que trazem a todo o tecido económico.

Sendo empresas com grande longevidade – com uma média de idades de quase 40 anos, muito superior à média do tecido empresarial – é nos ciclos mais longos que obtemos uma leitura mais verdadeira do seu comportamento. E o que vemos é uma grande capacidade de adaptação e de resposta que se tem revelado crucial para toda a economia em diversos momentos, desde os desafios da inovação e da procura de mercados externos, na UE mas também extracomunitários, trazendo em muitos casos investimento estrangeiro para o país.

São também empresas com capacidade de dinamizar os diversos setores em que atuam. Embora com maior peso na indústria automóvel, alimentação, energia e materiais de base, as 500 M&M estão presentes em todos os setores da economia.

É entre estas empresas que encontramos os grandes volumes de exportações. São empresas que abrem novos caminhos internacionais e hoje mais de metade das 500 M&M vendem para os mercados externos, com uma média por empresa que em 2018 atingiu cerca de 120 milhões de euros.

Um perfil exportador seria relevante em qualquer circunstância, mas torna-se ainda mais decisivo num país de menor dimensão como o nosso. A capacidade de alargar a geografia da sua atuação é muito maior nestas empresas, que têm mais condições para assumir investimentos e riscos associados a esse alargamento, abrindo mercados para outras empresas.

É fundamental entendermos que são empresas que para além do volume de negócios, do emprego que geram, e do valor que criam,  fazem a grande maioria das suas compras no mercado nacional, gerando trabalho para muitas outras de menor dimensão que, por sua vez, vão também fazer crescer os números do emprego e dos negócios, aumentando assim, o seu impacto na atividade económica do país.

O peso de cada uma destas 500 empresas faz-se sentir também, de forma muito clara em alguns municípios mais distantes das áreas de Lisboa e Porto. É certo que é sobretudo na capital que se verifica a maior concentração das sedes destas empresas e do seu volume de negócios, mas a presença de apenas uma delas num município de menor dimensão faz uma enorme diferença, desde logo na dinâmica que gera localmente.

É por isso importante percebermos o que faz destas empresas as ‘maiores’ – num certo sentido, aquilo que cada uma faz por si própria e pelos seus resultados. Mas tornam-se as ‘melhores’ por conseguirem fazê-lo sustentadamente ao longo dos anos, influenciando positivamente todo o tecido económico e empresarial.

Teresa Cardoso de Menezes
Diretora geral da Informa D&B