sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Volume de negócios de clínicas privadas cresce 7% em 2014


O volume de negócios agregado das entidades gestoras de unidades privadas de saúde com fins lucrativos manteve uma tendência ascendente nos últimos exercícios, impulsionado pelo desenvolvimento do modelo de gestão privada nos hospitais públicos, pelo recurso às entidades privadas por parte dos serviços públicos de saúde de forma a reduzir as listas de espera, e pelo aumento do número de utentes particulares. Deste modo, apesar da crise económica, tanto o mercado de seguros de saúde como o de unidades privadas de saúde valorizaram nos últimos cinco anos.

No exercício de 2014, a faturação do total das unidades privadas de saúde cresceu 6,7%, situando-se em 1345 milhões de euros. As receitas do segmento hospitalar em regime convencionado aumentou 7,6%, face aos 16,2% de 2013, para 370 milhões de euros. Quanto às unidades privadas de saúde com fins lucrativos, a faturação atingiu 975 milhões de euros, ou seja, 6,3% mais do que em 2013, ano em que o crescimento tinha sido de 4,6%.

No que se refere ao mercado de seguros de saúde, também este registou uma subida face ao ano de 2013. Em 2014 o volume de negócios foi de 589 milhões de euros, o que representa um crescimento de 3,2%. Os seguros de assitência e mistos representam a maior parte da faturação inerente aos prémios de seguros de saúde, dominando no conjunto 91,3% do mercado total de seguros de saúde.

O contexto

O setor de saúde privada apresenta perspetivas de desenvolvimento favoráveis, no contexto de recuperação da economia portuguesa, aumento da esperança de vida e dificuldades do Serviço Nacional de Saúde na prestação de cuidados de saúde. Por outro lado, a importância crescente que a população dá aos cuidados de saúde, o desenvolvimento da rede hospitalar privada e a saturação da rede de saúde pública também terão contribuído para o aumento dos serviços de saúde prestados por entidades gestoras de clínicas privadas e por companhias de seguros nos últimos anos.

Ainda assim, os ajustamentos orçamentais da Administração Pública continuarão a afetar negativamente as receitas resultantes de convenções públicas, esperando-se ainda uma forte pressão das seguradoras sobre os preços dos serviços prestados pelas clínicas.

Estrutura da oferta

Em abril de 2015, havia 45 unidades privadas de saúde com fins lucrativos, num total de 2937 camas (em média cada estabelecimento oferece 65 camas). Lisboa concentra 24,4% das clínicas privadas em atividade, seguida pelo Porto, com 20% e Braga, com 15,6%. Relativamente ao número de camas, Lisboa e Porto representam 36,6% do total, respetivamente.

Na mesma data, resgistaram-se 25 entidades no mercado de seguros de saúde, algumas de origem portuguesa, outras filiais de empresas de seguros estrangeiras.

A oferta setorial continuará a concentrar-se em grupos de maior dimensão, tanto no setor de unidades privadas de saúde como de seguros de saúde. A previsão aponta para que nos próximos exercícios tenham lugar novas operações empresariais em ambos os mercados.