segunda-feira, 27 de julho de 2015

Nasceram 2,5 empresas por cada empresa que encerrou


O Barómetro Informa D&B analisa a dinâmica do universo empresarial português: nascimentos, encerramentos e insolvências de empresas e outras organizações. Em termos gerais, no primeiro semestre de 2015, todos os indicadores mantiveram as tendências de melhoria: aumento do número de nascimentos de entidades e redução do número de insolvências, Só o número de encerramentos regista uma ligeira subida (0,9%).

"Estes resultados são evidências de que o universo empresarial em Portugal é resiliente e que está em recuperação com alguma sustentabilidade. 2013 e 2014 foram os melhores anos de nascimentos desde 2009. E desde 2013 que o número de insolvências tem vindo a descer", afirma Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B.


Nascimentos crescem

No primeiro semestre de 2015, o número de nascimentos de empresas e outras organizações aumentou 10% face ao período homólogo anterior, tendo sido constituídas 21 129 entidades. Desde 2013 que se regista uma tendência de crescimento e o ritmo tem vindo a aumentar face aos períodos homólogos anteriores (no primeiro e no segundo trimestres de 2015 cresceu 9,5% e 10,6%, respetivamente).

O nascimento de sociedades por quotas esteve em destque no período em análise. No primeiro trimestre de 2015 nasceram 5055 entidades e no segundo trimestre nasceram 4427. No segundo trimestre, o valor ultrapassou o número de nascimentos de sociedades unipessoais (4131), que era superior desde o segundo trimestre de 2011.

O nascimento de empresas e outras organizações cresceu na quase totalidade dos distritos no primeiro semestre de 2015 (decresceu apenas em Viana do Castelo e Guarda, mas com pouca expressão: apenas menos 5 entidades em cada um deles). Destacam-se Lisboa, com o maior número de nascimentos (5914 entidades; mais 8,1% do que no período homólogo anterior), Porto (3914 nascimentos; mais 9,5%) e Braga (1736 nascimentos; mais 4,1%).

Os setores no quais se registou um maior número de nascimentos foram os Serviços com mais 6576 entidades (mais 9,3% do que no  período homólogo anterior), Retalho com 3380 nascimentos (mais 12%) e Alojamento e Restauração, com mais 2489 entidades (mais 17,5%). A tendência de crescimento alargou-se a quase todos os setores, exceto o Grossista (menos 2,5%) e as Atividades financeiras (menos 18,3%).


Encerramentos sem alteração relevante

Depois do pico de encerramentos em 2012, os anos 2013 e 2014 apresentaram descidas. No primeiro semestre de 2015, encerraram 6541 empresas. Em termos de variação face ao período homólogo anterior, os encerramentos cresceram apena 0,9%, com os dois primeiros trimestres de 2015 a apresentarem comportamentos distintos: no primeiro, os encerramentos desceram 6,9% e no segundo subiram 12,7%.

A maioria dos encerramentos no primeiro semestre de 2015 verifica-se em sociedades por quotas (4029 entidades). As socieaddes unipessoais e as sociedades anónimas registaram 2178 e 189 encerramentos, respetivamente.

O número de encerramentos desceu, ou manteve-se em 13 dos 22 distritos em análise. Os distritos que registaram um maior número de encerramentos foram Lisboa, com 1893 (mais 0,9% do que no período homólogo anterior), Porto, com 1164 (menos 1,3%) e Braga com 554 (menos 1,4%).

No primeiro semestre de 2015, oito dos 13 setores em análise registaram um crescimento do numero de encerramentos. Em termos absolutos, os setores com maior número de encerramentos foram os Serviços, com 1621 encerramentos (menos 12,9% do que no primeiro semestre de 2014), Retalho, com 1283 (mais 22%) e Construção, com 834 (mais 6,8%).


Menos insolvências

As insolvências continuaram a descer, uma tendência que já se verifica desde 2013. No primeiro semestre de 2015, registaram-se 2359 insolvências, o que representou uma descida de 8% face ao período homólogo anterior.

São as sociedades por quotas as que têm maior representatividade no número total de insolvências (1481 no primeiro semestre de 2015), porém, as insolvências de empresas com esta forma jurídica foram também as que registaram um maior decréscimo face ao período homólogo de 2014 (menos 12,8%). Nas sociedades anónimas e nas unipessoais o número de insolvências cresceu 3,7% e 1,5%, respetivamente.

A maioria dos distritos apresentou um decréscimo no número de insolvências. Em termos absolutos, registaram maior número de insolvências os distritos de Lisboa, com 551 (menos 18,9% do que no período homólogo anterior), Porto, com 481 (menos 14,6%) e Braga, com 300 (mais 19%).

O Retalho, as indústrias transformadoras e a Construção foram os setores com o maior número de insolvências (440, 406 e 339, respetivamente), mas em todos eles houve um decréscimo face a 2014 (menos 5,8%, 3,1% e 25,3%, respetivamente). Existem apenas quatro setores nos quais o número de insolvências aumentou, destacando-se o Alojamento e Restauração, com 209 insolvências iniciadas (mais 7,2% face ao 1º semestre de 2014).