terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Procura de artigos ópticos está em queda há seis anos


O valor do mercado de artigos ópticos em Espanha e Portugal mantém uma trajectória descendente desde 2008, num quadro de debilidade do consumo privado e tendência decrescente dos preços.

Após a descida de 7,4% registada em 2012, o conjunto do mercado ibérico sofreu uma contracção de 5,6% em 2013, situando-se nos 765 milhões de euros. Em Portugal registou-se uma taxa de variação negativa de 6,3%, até aos 150 milhões de euros. Por seu lado, em Espanha as vendas ascenderam a 615 milhões, menos 5,4% do que em 2012.

Os segmentos de óculos de sol e armações, mais dependentes da conjuntura económica e da evolução do consumo das famílias, foram os que registaram maiores perdas. Em 2012, as vendas destes artigos no conjunto do mercado ibérico sofreram reduções de 9,4% e 9,1%, respectivamente.

O mercado de lentes oftálmicas, cuja quebra foi de 6,5%, é o de maior peso no sector, com uma participação sobre as vendas totais de 37%, em 2012. Segue-se o das armações, com 25%, sendo a restante percentagem repartida entre as lentes de contacto e produtos de manutenção (20%) e os óculos de sol (18%).

A evolução da actividade continuará a ser penalizada a curto prazo pelo abrandamento da procura interna, num contexto de lenta recuperação da economia tanto em Espanha como em Portugal. Prevê-se, pois, a manutenção da intensa concorrência em preços e pressão sobre as margens de rendibilidade.

As lentes de contacto continuarão a aumentar a sua penetração no mercado a curto prazo, enquanto as vendas de óculos de sol e armações continuam a ser afectadas pela atonia da procura e a forte rivalidade em preço.

Em 2012 operavam no mercado ibérico cerca de 80 empresas fabricantes e importadores de artigos ópticos, das quais 50 localizadas em Espanha e 30 em Portugal. Estas empresas geraram um emprego de aproximadamente 3600 trabalhadores, correspondendo às sediadas em Espanha, 2600 empregados e às portuguesas os 1000 restantes.

O sector apresenta um alto grau de concentração empresarial. No conjunto do mercado ibérico, os cinco principais grupos representavam uma quota conjunta de 48% em 2012, percentagem que alcançou os 65% quando considerados os dez principais.