quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Construção perde mais 17% em 2013

A deterioração da actividade no sector português da construção agravou-se em 2012. Assim, o valor da produção desceu 13,9%, até aos 13 954 milhões de euros, com destaque para a contracção do segmento residencial, com uma quebra de 18,4%.

Esta tendência manter-se-á no curto prazo, em consequência das restrições orçamentais da Administração Pública, das dificuldades de acesso ao crédito e da conjuntura económica desfavorável, o que permite prever uma intensificação da pressão sobre os preços e um agravamento adicional da rendibilidade do sector.

No final de 2013 espera-se um valor da produção de 11 600 milhões de euros, cerca de 17% menos do que em 2012, enquanto em 2014 verificar-se-á um recuo adicional na ordem dos 3-4%. No período 2008-2013 a produção do sector acumula perdas de 42%.

O elevado stock de edifícios novos e a descida do número de licenças concedidas para construções novas fazem prever, em 2013, uma forte diminuição da produção no segmento da construção residencial, a qual poderá situar-se acima de 20%.

A construção não residencial e o segmento da engenharia civil registarão também uma evolução negativa, num contexto de paralisação ou adiamento de novos projectos, prevendo-se em ambos os casos descidas da produção de cerca de 15%.

A abertura para o exterior constitui a principal oportunidade para as empresas do sector a curto e médio prazo, num contexto previsto de forte decréscimo da procura interna, sendo os países africanos de língua portuguesa e Brasil os mercados com maior potencial de crescimento.

Em Junho de 2013 operavam em Portugal 18 722 empresas de construção com Alvará, em comparação com as 21 588 registadas em Dezembro de 2012. Por seu lado, o número de empresas com Título de Registo, que habilita os seus titulares a realizar determinados trabalhos desde que o seu valor não exceda os 16 600 euros, desceu 5,8% nesse período, até se situar nas 32 385.

Observa-se uma considerável concentração geográfica dos operadores nos distritos de Lisboa e Porto, os quais acolhem cerca de 19 e 13% do total de empresas com Alvará. Destacam-se também os distritos de Aveiro, Braga, Leiria e Setúbal, com quotas de 6-8%.

O volume de emprego gerado pelo sector diminuiu 18,9% em 2012, até aos 357 200 trabalhadores.