quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A CRISE AFECTA O SECTOR DA SEGURANÇA PRIVADA - O mercado cairá 5% em 2012

 
Evolução da actividade

Segundo a DBK, filial da Informa D&B (Grupo CESCE), o volume de negócios do sector de segurança privada manteve até 2010 uma evolução positiva, embora se tenha verificado uma significativa diminuição do ritmo de crescimento. Em 2011, o valor do mercado sofreu uma descida de 3,2%, situando-se nos 765 milhões de euros, em comparação com os 790 milhões alcançados em 2010. A deterioração do tecidoo empresarial e a redução da despesa do sector público, empresas e famílias foram os factores determinantes desta inversão de tendência.
 
Em 2011, o mercado de vigilância situou-se nos 544 milhões de euros, o que representou uma quebra de 3,7% relativamente a 2010. Esta área de negócios revelou uma evolução mais negativa do que a média do mercado, embora continue a ser a mais importante, ao concentrar cerca de 70% da facturação total. O forte ajustamento de custos imposto pelos clientes públicos e privados afectou particularmente o negócio da segurança privada, que foi de igual modo prejudicado pela tendência de substituição de vigilantes humanos por sistemas electrónicos.
 
Assim, o segmento de sistemas de segurança apresentou, em 2011, o comportamento menos desfavorável, retrocedendo somente 0,6% relativamente a 2010. O volume de negócios gerado situou-se nos 159 milhões de euros, representando 21% do valor total do mercado.
 
Por sua vez, a facturação associada à actividade de transporte de valores foi de 62 milhões de euros, menos 4,6% do que no exercício anterior, acusando o elevado grau de maturidade do mercado.
 
 
Estrutura da oferta
 
Em Setembro de 2012 encontravam-se registadas no Ministério da Administração Interna 110 empresas com alvará para prestação de serviços de segurança privada em Portugal. O distrito de Lisboa reúne praticamente 50% dos operadores, com 54 empresas aí localizadas, seguindo-se o Porto, com 14, Braga, com 8, e Faro, com 7.
 
Por outro lado, o número de indivíduos habilitados para exercer funções de vigilantes de segurança privada era, em Dezembro de 2011, de 40 287, menos 1,8% do que no ano anterior, quebrando-se a tendência altista observada desde 2005.
 
O grau de concentração da oferta aumentou significativamente nos últimos anos. Assim, as duas empresas líderes reuniram em 2011 cerca de 34% do mercado total, percentagem que atinge os 58% quando se considera o grupo das cinco principais.
 
 
Previsões
 
A principal ameaça que o sector enfrenta é a situação económica negativa do país, particularmente a debilidade do investimento empresarial, o elevado corte da despesa na Administração Pública e a contracção do consumo das famílias.
 
A perda de rendibilidade e as pressões financeiras derivadas da actual conjuntura continuarão a dificultar a sobrevivência das empresas de menor dimensão, o que permite antecipar um aumento do grau de concentração da oferta sectorial.
 
Prevê-se que o exercício de 2012 encerre com uma quebra da facturação sectorial de 5,2%, correspondente a um volume de negócios de 725 milhões de euros. Em 2013 espera-se uma moderação do ritmo de diminuição das receitas.
 
O mercado de sistemas electrónicos continuará a apresentar uma evolução menos desfavorável, devido à tendência para a substituição de vigilantes humanos por dispositivos electrónicos.