quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Construção não recupera em 2012

 
Evolução da actividade:
- Em 2011, a produção no sector da construção em Portugal sofreu uma contracção, em termos reais, de 9,4%, destacando-se a quebra de 17% no segmento residencial.
- Em valores correntes, a produção situou-se nos 16057 milhões de euros, menos 6,7% do que no ano anterior. O segmento da engenharia civil foi o que verificou uma quebra menor        (-2,2% em termos nominais), aproximando-se dos 7700 milhões de euros.
- O segmento da construção de edifícios registou uma descida nominal de 10,5%, tendo o pior comportamento, correspondido à construção residencial, a qual, com uma produção de 4326 milhões de euros, reduziu a sua quota de 26,9% sobre o total.
- O número de fogos terminados situou-se abaixo dos 37500 em 2011, enquanto que em 2002 o número era de 124 000. O Algarve (-20,1%) e a zona Norte (-17,5%) registaram as descidas mais significativas.
- Já a produção na construção de edifícios públicos aumentou 4% em 2011, destacando-se o dinamismo das obras de modernização e ampliação do parque escolar. A actividade no segmento da construção não residencial privada evoluiu no sentido oposto, registando uma descida de 11,4%.
- A reactivação do investimento em alguns dos principais mercados externos nos quais as construtoras portuguesas operam permitiu que a facturação no estrangeiro crescesse significativamente em 2011, atingindo cerca de 4500 milhões de euros.
 
Estrutura da oferta:
- Em 2011 registou-se uma redução do número de empresas com actividade no sector. Assim, as empresas detentoras de Alvará passaram de 23859 em Dezembro de 2010 para 23555 no mesmo mês de 2011, tendência que se acentuou nos primeiros meses de 2012 e que representou uma descida de 1,3%.
- O volume de emprego gerado situou-se nos 440300 trabalhadores em 2011, correspondendo a uma descida de 8,7% em relação a 2010. Este número representou 9,1% do volume total de emprego em Portugal.
- Nos últimos anos oberva-se uma tendência para a concentração empresarial. A quota de produção conjunta das cinco principais empresas aproximou-se dos 19%, em 2011.
 
Previsões:
- No biénio 2012-2013 manter-se-á a tendência de baixa da produção, estimando-se no fecho de 2012 uma descida nominal de cerca de 9%.
- A quebra no número de licenças concedidas para a construção de novos fogos verificada em 2011 e nos primeiros meses de 2012 permite antecipar uma contracção significativa da actividade no mercado da construção residencial. A construção não residencial registará igualmente, a curto prazo, uma evolução negativa, num quadro de redução do número de novos projectos para edifícios privados, e a actividade das obras de engenharia civil será penalizada pelos ajustamentos orçamentais da Administração pública.
- A curto e médio prazo irá intensificar-se a tendência de internacionalização do sector. O défice de infraestruturas em países em desenvolvimento constitui uma oportunidade para as construtoras portuguesas.